{"id":2059,"date":"2024-04-29T09:32:29","date_gmt":"2024-04-29T12:32:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2059"},"modified":"2024-04-29T09:32:29","modified_gmt":"2024-04-29T12:32:29","slug":"o-cangaceiro-um-faroeste-italiano-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2059","title":{"rendered":"O\u2019 Cangaceiro: um \u201cfaroeste italiano\u201d esquecido"},"content":{"rendered":"<p>O Cangaceiro \u00e9 um filme produzido e dirigido em 1953 por Lima Barreto, di\u00e1logos escritos pela escritora Raquel de Queiroz; ganhou o pr\u00eamio de melhor filme de aventura e melhor trilha sonora no Festival Internacional de Cannes. Mas existe outro filme como o mesmo nome, <em>O\u2019 Cangaceiro<\/em>, uma produ\u00e7\u00e3o italiana dos anos 1970. O blog reproduz a seguir, mat\u00e9ria do site Terra sobre esse filme, praticamente desconhecido. (<em><strong> imagem de capa: Meia Noite, arte de Luci Guimar\u00e3es).<\/strong><\/em><\/p>\n<h2>Um Cangaceiro contra a ditadura militar<\/h2>\n<p>Por\u00a0<strong>LUIZ BERNARDO PERIC\u00c1S<\/strong><\/p>\n<p><em>Coment\u00e1rio sobre o filme de\u00a0Giovanni Fago<\/em><\/p>\n<p><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p>Durante os anos de chumbo, v\u00e1rios artistas al\u00e7aram a voz contra a ditadura militar, atrav\u00e9s de livros, can\u00e7\u00f5es, pe\u00e7as de teatro e filmes. No cinema, talvez o exemplo mais inusitado desta vertente seja\u00a0<em>O\u2019 cangaceiro\u00a0<\/em>(isso mesmo, com ap\u00f3strofe), de Giovanni Fago, um \u201cfaroeste italiano\u201d ambientado na Bahia! Lan\u00e7ada em dezembro de 1969, essa coprodu\u00e7\u00e3o \u00edtalo-espanhola passou despercebida por muitos amantes da s\u00e9tima arte. E mesmo pelos apreciadores dos\u00a0<em>spaghetti westerns.\u00a0<\/em>Ainda que relativamente pouco conhecida na atualidade, a fita, contudo, \u00e9 um caso cl\u00e1ssico de cr\u00edtica contundente ao poder autorit\u00e1rio dos generais e ao imperialismo.<\/p>\n<p>Giovanni Fago, o diretor da pel\u00edcula, come\u00e7ou sua carreira como assistente de lendas como Mario Monicelli, Vittorio De Sica, Renato Castellani e Lucio Fulci e a partir de 1967, se tornou regente de \u201cbangue-bangues\u201d como\u00a0<em>Per 100. 000 dollari ti amazzo\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Uno di pi\u00f9 all\u2019inferno.\u00a0<\/em>E, \u00e9 claro, de\u00a0<em>O\u2019 cangaceiro.\u00a0<\/em>Em vez do norte do M\u00e9xico ou do \u201cVelho Oeste\u201d dos Estados Unidos, a obra tem como cen\u00e1rio o sert\u00e3o nordestino. E no lugar de revolucion\u00e1rios, caub\u00f3is e ca\u00e7adores de recompensas, os personagens tradicionais do\u00a0<em>hinterland\u00a0<\/em>brasileiro: padres, beatos e coron\u00e9is.<\/p>\n<p>Para o papel principal foi chamado o ator cubano-americano Tomas Milian. Em 1958, ele se mudou para a It\u00e1lia, onde participou de filmes de Mauro Bolognini e Luchino Visconti. Seu primeiro\u00a0<em>western\u00a0<\/em>foi\u00a0<em>The Bounty Killer\u00a0<\/em>(1966), de Eugenio Mart\u00edn. Tamb\u00e9m estrelou, dentro do g\u00eanero, trabalhos de Sergio Solima e o cl\u00e1ssico\u00a0<em>Vamos a matar, compa\u00f1eros\u00a0<\/em>(1970), de Sergio Corbucci, ocasi\u00e3o em que contracenou com Franco Nero, Jack Palance e Eduardo Fajardo. Ao longo da carreira, Tomas Milian ainda participaria de filmes de Franco Brusati, Dennis Hopper, Michelangelo Antonioni, Tony Scott, Oliver Stone, John Frankenheimer, Steven Spielberg, Steven Soderbergh, Andy Garcia e Bernardo Bertolucci. Em\u00a0<em>O\u2019 cangaceiro,\u00a0<\/em>ele teria um desempenho memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber os ecos de\u00a0<em>Deus e o diabo na terra do sol,\u00a0<\/em>de Glauber Rocha, e de\u00a0<em>O cangaceiro,\u00a0<\/em>de Lima Barreto, ao longo da narrativa. Vale destacar aqui a fotografia magn\u00edfica e original de Alessandro Ulloa, a trilha sonora de Riz Ortolani e a montagem de Eugenio Alabiso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1923\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-768x511.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/casa-de-chico-P-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: casa que pertenceu ao cangaceiro Chico Pereira, em Nazarezinho PB<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>O filme come\u00e7a com um ataque de tropas comandadas pelo coronel Minas (Leo Anch\u00f3riz) contra o cangaceiro Firmino e seu grupo, num vilarejo baiano. O oficial garante a integridade dos cidad\u00e3os caso o bandoleiro se entregue. Mas mente. Os soldados massacram, sem piedade, todos os bandidos e chacinam a popula\u00e7\u00e3o local, por esta ter supostamente ajudado os fac\u00ednoras. O jovem Expedito, o protagonista da hist\u00f3ria, ser\u00e1 ferido na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seu pai (que durante o tiroteio apenas olhava, resignado, para uma gaiola, onde um passarinho preso simbolizava a vida limitada e sem possibilidades de mudan\u00e7a do homem do campo; por sinal, todos os moradores tinham c\u00e1veas com aves enclausuradas) \u00e9 assassinado, e sua vaca (o sustento do sertanejo), tamb\u00e9m eliminada \u00e0 bala. O ato violento mostra claramente que o \u201cpovo\u201d aparentemente n\u00e3o tem como escapar deste mundo \u201coficial\u201d de injusti\u00e7a e opress\u00e3o. N\u00e3o se pode confiar no Estado. Ele acabar\u00e1 com tudo que estiver \u00e0 sua frente; os homens, portanto, s\u00e3o \u201cdispens\u00e1veis\u201d\u2026<\/p>\n<p>Expedito, entretanto, vivenciar\u00e1 uma mudan\u00e7a brusca e radical em seu destino. Tratado com ervas medicinais pelo eremita Julian, um \u201chomem santo\u201d, ele se restabelece em pouco tempo. O beato, em seu discurso de fan\u00e1tico religioso, diz que Jesus era forte e levava um chicote nas m\u00e3os, para expulsar os mercadores do templo; ao mesmo, por\u00e9m, era bondoso e ajudava os pobres. Tamb\u00e9m afirma ao interlocutor em recupera\u00e7\u00e3o que havia estado pessoalmente com Deus, o qual lhe ordenara anunciar ao mundo que a \u201cJusti\u00e7a\u201d prevaleceria. Estranhamente, segundo ele, Nosso Senhor se parecia muito com\u2026 Expedito! \u201cVir\u00e1 um homem que se parecer\u00e1 comigo, e tu o enviar\u00e1s para lutar pela Justi\u00e7a e o chamar\u00e1s de Redentor\u201d, completa o velho barbudo.<\/p>\n<p>H\u00e1, a partir da\u00ed, uma convers\u00e3o radical. Expedito se torna um andarilho (supostamente enviado pelos C\u00e9us) que tentar\u00e1 convencer o povo miser\u00e1vel de uma vila de cho\u00e7as a segui-lo. Naquele momento, por\u00e9m, \u00e9 confrontado por \u201cDiabo negro\u201d, um criminoso que procura arregiment\u00e1-lo para seu bando. O \u201credentor\u201d n\u00e3o aceita: afinal, \u201cele\u201d \u00e9 o escolhido, o \u201crei dos cangaceiros\u201d, aquele que levar\u00e1 consigo a cruz e o fac\u00e3o. \u201cUm machete \u00e9 mais longo que a m\u00e3o, mas um fuzil \u00e9 mais longo que um machete\u201d, pontifica o bandoleiro afrodescendente que acaba permitindo que o rapaz siga seu caminho (algo de que se arrepender\u00e1 no futuro). Depois disso, o jovem joga longe o objeto do cristianismo que levava como um cajado. Sua decis\u00e3o est\u00e1 tomada\u2026<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo de Expedito \u00e9 se dirigir a um forte na capital (uma mistura de quartel e pris\u00e3o), onde ocorreria uma grande festa popular organizada pelo coronel Minas em homenagem ao bispo Pedreira Souza. O aprendiz de cangaceiro chega ao local sentado num carrinho de rolamentos, se fingindo de mendigo paral\u00edtico. Sua atitude insultuosa, por\u00e9m, incomoda o oficial, que manda prend\u00ea-lo. \u201cFascista!\u201d, grita Expedito. Por certo, um sertanejo pobre, inculto e isolado do mundo nunca proferiria essa palavra e sequer saberia de sua exist\u00eancia ou significado.<\/p>\n<p>Na verdade, esse grito, um verdadeiro desabafo, representa a indigna\u00e7\u00e3o de toda a oposi\u00e7\u00e3o progressista, que caracterizava daquela forma (mesmo que de forma imprecisa) os militares no poder no Brasil desde 1964. O termo forte, \u00e9 claro, foi colocado propositadamente na boca daquele personagem, um homem simples e explorado\u2026 Desprezando o suposto deficiente, os soldados o empurram numa rampa que o leva direto a uma cela repleta de detentos: \u00e9 sua visita simb\u00f3lica ao inferno. A disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos desanimados\u00a0<em>inmates,\u00a0<\/em>por sinal, \u00e9 interessant\u00edssima e remete \u00e0 cenografia do teatro experimental.<\/p>\n<p>Os prisioneiros ganhar\u00e3o uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo deste elemento externo (talvez a \u201cvanguarda\u201d armada) e se tornar\u00e3o seus disc\u00edpulos (um deles, por sinal, tem o nome de Pedro). Enquanto isso, o bispo, com toda sua pompa e riqueza, d\u00e1 o tom de artificialidade e poder, participando das celebra\u00e7\u00f5es para benzer os canh\u00f5es do quartel! Durante toda a hist\u00f3ria, o que se v\u00ea \u00e9 uma constante aproxima\u00e7\u00e3o e alian\u00e7a entre o Estado, a Igreja, os coron\u00e9is e o ex\u00e9rcito. Expedito, neste \u00ednterim, lidera uma fuga coletiva, explode os armamentos (matando, nesse processo, Minas e o representante da Santa S\u00e9) e come\u00e7a sua trajet\u00f3ria como bandoleiro.<\/p>\n<p>Em p\u00e9, no meio de um cemit\u00e9rio, cercado por seus asseclas (seus \u201cap\u00f3stolos\u201d, sentados ou deitados no ch\u00e3o, pr\u00f3ximos \u00e0s l\u00e1pides e cruzes), Expedito, com cartucheiras cruzando o peito, confirmar\u00e1 sua metamorfose: \u201co redentor veio libertar o povo dos grilh\u00f5es\u2026 o pa\u00eds tem fome de Justi\u00e7a e os oprimidos clamam por sua liberdade\u2026 benditos\u2026 aqueles que sabem manejar armas!\u201d Um dos homens ainda tenta fugir, quer abandonar o grupo. Mas \u00e9 alvejado pelo cangaceiro. Agora, n\u00e3o se pode mais dar \u00e0s costas \u00e0 luta popular: quem est\u00e1 nela, ter\u00e1 de permanecer\u2026 ou ser\u00e1 eliminado. A responsabilidade hist\u00f3rica est\u00e1 colocada. \u201cLutaremos pela Justi\u00e7a e pela vingan\u00e7a\u201d. \u00c9 a exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 guerrilha\u2026<\/p>\n<p>O holand\u00eas Vincenzo Helfen (Ugo Pagliai) chega a um vilarejo e estaciona seu carro no meio da pra\u00e7a. A miser\u00e1vel cidadezinha, em peso, corre em dire\u00e7\u00e3o ao ve\u00edculo, uma novidade para todos de l\u00e1: o arcaico e o moderno se deparam, se defrontam. Em pouco tempo, o autom\u00f3vel \u00e9 totalmente depenado, mostrando a incompreens\u00e3o (e ao mesmo tempo, fasc\u00ednio) com o mundo contempor\u00e2neo, opulento e pr\u00f3spero, que nunca chegara t\u00e3o longe, naqueles ermos. Nem a carca\u00e7a escapa\u2026 Do ve\u00edculo, s\u00f3 restam os eixos e\u2026 um livro! A representa\u00e7\u00e3o da cultura sofisticada n\u00e3o tem valor para aqueles trabalhadores rurais, imersos na ignor\u00e2ncia e na pobreza\u2026<\/p>\n<p>O estrangeiro, enviado de uma companhia europeia, fora at\u00e9 ali em busca de petr\u00f3leo. O objetivo \u00e9 explorar (ou melhor, roubar) as riquezas do pa\u00eds e enviar todos os lucros para o exterior. Expedito, sem saber disso, contudo, adentra o lugarejo e se depara com o neerland\u00eas. Agora, \u00e9 um homem transformado. A maquiagem de Milian, neste momento, lembra vagamente aquela de Solomon \u201cBeauregard\u201d Bennet, o ic\u00f4nico personagem de\u00a0<em>Face a face,\u00a0<\/em>o filme de Sergio Solima no qual contracenara com Gian Maria Volont\u00e9. O \u201credentor\u201d exige que Helfen leia o livro inteiro para ele, uma narrativa sobre o mar (tradicionalmente, a representa\u00e7\u00e3o da utopia sertaneja, um lugar id\u00edlico e quase inating\u00edvel, onde ele poder\u00e1 escapar e encontrar a felicidade). Ao final, por\u00e9m, Expedito acha tudo uma bobagem. A hist\u00f3ria n\u00e3o lhe diz nada: sua escolha \u00e9 o mundo real em seu entorno. E atuar nele, a partir de um vi\u00e9s messi\u00e2nico. \u201cPrefiro a vida do menino Jesus\u201d, comenta.<\/p>\n<h2>\u00c1gua Branca dos Palmares, territ\u00f3rio livre<\/h2>\n<p>Depois de liberado, Helfen ter\u00e1 uma reuni\u00e3o com o alto clero da Igreja, pol\u00edticos e o governador Branco (interpretado por Eduardo Fajardo; o nome do personagem, por sinal, bastante sugestivo, especialmente se considerarmos que se tratava de um poderoso membro da elite num estado majoritariamente negro) sobre as melhores formas de explorar o petr\u00f3leo no \u201cterrit\u00f3rio de \u00c1gua Branca at\u00e9 Palmeiras\u201d. O holand\u00eas, talvez ingenuamente, acredita que as jazidas trar\u00e3o benef\u00edcios e prosperidade \u00e0 regi\u00e3o, j\u00e1 que o povo ter\u00e1 trabalho, o dinheiro ir\u00e1 circular e ser\u00e1 preciso construir estradas e outras obras de infraestrutura na \u00e1rea.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2061\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Casa-F.-Pedra-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Casa-F.-Pedra-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Casa-F.-Pedra-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Casa-F.-Pedra-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Casa-F.-Pedra.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Casa na Fazenda Pedra, em Patos de Irer\u00ea, PB, local onde Lampi\u00e3o se deixou fotografar pela primeira vez, em 1922<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mas o governador \u00e9 incisivo: \u201cTemos de evacuar a popula\u00e7\u00e3o da zona, por bem ou por mal\u2026 \u00c1gua Branca ter\u00e1 de ser borrada do mapa\u2026 As leis s\u00e3o muito \u00fateis, nos permitem agir legalmente em nosso pr\u00f3prio interesse\u201d. Afinal, como diria o novo bispo: \u201cExiste o perigo de uma explos\u00e3o do materialismo\u201d. Em outras palavras, os trabalhadores poderiam se organizar em sindicatos ou em partidos (aludindo que estes estariam imbu\u00eddos, quem sabe, de um car\u00e1ter marxista) e enfrentar os poderosos; isso n\u00e3o deveria ser permitido.<\/p>\n<p>Com o triunfo de Expedito sobre tropas do governo (enviadas para destru\u00ed-lo), dizimadas por seus sequazes, o redentor mostra que h\u00e1 possibilidade de vit\u00f3ria contra o Estado autorit\u00e1rio. Uma nova forma de neutralizar o bandido, assim, deve ser colocada em pr\u00e1tica, para que os planos do governador e da multinacional n\u00e3o sejam obstaculizados. Helfen, o elemento-chave neste caso, tem uma ideia: tentar\u00e1 seduzir o bandoleiro, oferecendo inicialmente armas modernas. De acordo com o europeu, Branco admirava o \u201credentor\u201d e estava disposto a dar uma festa em sua homenagem para selar o acordo. Fica n\u00edtida a tentativa de coopta\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a popular: se Expedito acabasse com os outros bandos de cangaceiros que atuavam na regi\u00e3o, as autoridades lhe concederiam algumas demandas. \u201cO simples fato de ter sido convidado j\u00e1 \u00e9 uma grande vit\u00f3ria, depois de todo o mal que [Branco] nos fez, tanto a mim como \u00e0 minha gente\u2026 e \u00e0 minha vaca\u201d, comentaria o fora da lei.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, Expedito e seus companheiros penetram na festa no Pal\u00e1cio do governo, retratada de maneira felliniana. Os convidados da elite local s\u00e3o caricaturas: rid\u00edculos, arrogantes e desconectados da realidade, vivem num mundo paralelo, cercados de servi\u00e7ais, conversando sobre temas sem qualquer v\u00ednculo com a vida da popula\u00e7\u00e3o (a mulher do governador, por exemplo, fala sobre a primavera, muito \u00famida naquele ano). A incompatibilidade entre os interesses do \u201cpovo\u201d e dos ricos \u00e9 patente.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o prossegue, e o hiato entre os bandoleiros e os \u201cpoderosos\u201d s\u00f3 parece aumentar. Para o \u201credentor\u201d, a sopa \u00e9 horr\u00edvel. \u201c\u00c1gua suja\u201d, diria. A cena \u00e9 quase uma homenagem subliminar \u00e0 menina Mafalda, a personagem dos quadrinhos criada pelo argentino Quino. Vale lembrar que a garota detestava tomar sopa, o alimento insosso que representava a ditadura militar de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2062\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Bando-1922-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Bando-1922-300x191.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Bando-1922-768x489.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Bando-1922.jpg 930w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>O bando de Lampi\u00e3o, em 1922, na Fazenda Pedra, em Patos de Irer\u00ea, Para\u00edba<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O acordo ser\u00e1 confirmado: Branco concorda com as exig\u00eancias de seu advers\u00e1rio, uma fazenda e o cancelamento do pre\u00e7o por sua cabe\u00e7a, dando um salvo-conduto para que pudesse viver sem ser perseguido pelas autoridades. Enquanto as comemora\u00e7\u00f5es continuam, um dos\u00a0<em>brigands\u00a0<\/em>rouba o anel do bispo e os outros, dan\u00e7am insanamente no meio dos endinheirados.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Expedito ir\u00e1 bailar com uma das criadas. A cultura popular mostra sua for\u00e7a; ela \u00e9 a vitoriosa, penetrando no ambiente quase imperme\u00e1vel da burguesia e tomando conta do lugar.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o l\u00edder dos bandoleiros come\u00e7ar\u00e1 uma persegui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel \u00e0s outras quadrilhas que atuavam no sert\u00e3o. Sem se dar conta, estar\u00e1 fazendo o trabalho sujo que tanto queria o governador. At\u00e9 se enfrentar com \u201cDiabo negro\u201d. A cena antol\u00f3gica do duelo nas dunas \u00e9 talvez uma das mais interessantes e memor\u00e1veis dos\u00a0<em>spaghetti westerns\u00a0<\/em>e rivaliza com a de\u00a0<em>Tr\u00eas homens em conflito,\u00a0<\/em>de Sergio Leone, e a de\u00a0<em>Os violentos v\u00e3o para o inferno,\u00a0<\/em>de Sergio Corbucci.<\/p>\n<p>Desta vez, por\u00e9m, o embate insano \u00e9 feito com machetes, enquanto ao fundo, n\u00e3o para de tocar um samba nervoso, fazendo com que as imagens ganhem uma dimens\u00e3o de loucura. \u00c9 quase um del\u00edrio glauberiano transformado em faroeste italiano. Como se pode imaginar, o \u201credentor\u201d mata o seu advers\u00e1rio. E ent\u00e3o ir\u00e1 se comportar como uma autoridade, dando presentes ao populacho (objetos roubados), chegando a convidar padres a visitar a fazenda que ganhara e que dera o nome de \u201cPara\u00edso terrestre\u201d, onde acreditava poder construir uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os estrangeiros come\u00e7am a retirar o petr\u00f3leo. O capitalismo n\u00e3o se importaria com os arroubos de Expedito, e poderia conviver com ele, desde que n\u00e3o interferisse em suas atividades e em seus lucros.<\/p>\n<p>\u201cOs po\u00e7os s\u00e3o nossos, os brasileiros n\u00e3o custaram muito\u201d, diz um dos funcion\u00e1rios da empresa europeia. Ainda assim, comenta em tom de desprezo, que \u201ca m\u00e3o de obra barata produz escasso rendimento\u201d.<\/p>\n<p>Helfen, indignado, retruca:<\/p>\n<p>\u201cO povo n\u00e3o tem o que comer!\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 verdade. Mas o obrigaremos a comer para incrementar a produ\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles se recusar\u00e3o. Sabem que n\u00e3o durar\u00e3o para sempre. \u00c9 melhor n\u00e3o se acostumarem\u2026\u201d<\/p>\n<p>O jogo das engana\u00e7\u00f5es se opera ao longo de toda a fita. As autoridades enganam o povo, enquanto os estrangeiros enganam o governo e a Igreja. At\u00e9 Expedito, que combate todos eles, acaba enganado por Branco, por Helfen e quem sabe, at\u00e9 mesmo, pelo eremita Julian.<\/p>\n<p>Branco ainda chega a contratar Frank Binaccio e seu grupo de g\u00e2ngsteres americanos para acabar de vez com o \u201credentor\u201d. S\u00e3o os imperialistas, aliados do poder institu\u00eddo, vendilh\u00e3o da p\u00e1tria, os parceiros do Estado autorit\u00e1rio na luta contra os mais pobres. Avisado por Helfen (agora arrependido de tudo que fizera), contudo, Expedito elimina os criminosos ianques e ao final, assassina o governador. \u00c9 a vingan\u00e7a do \u201cguerrilheiro\u201d. E tamb\u00e9m, simbolicamente, do Terceiro Mundo contra os interesses coloniais.<\/p>\n<p>Mas a partir da\u00ed, n\u00e3o se sabe qual ser\u00e1 o destino e a fun\u00e7\u00e3o daqueles combatentes. \u201cCome\u00e7o a achar que n\u00e3o sou o redentor\u201d, confessa Expedito. O pr\u00f3prio Fago parece n\u00e3o saber se o caminho das armas \u00e9 vi\u00e1vel. Fica a d\u00favida naquele momento. O cangaceiro e seus homens apenas partem, juntos, sem objetivo definido, para um destino incerto.<\/p>\n<p>Temos aqui um belo filme, em grande medida, subvalorizado e esquecido pelo grande p\u00fablico. Ainda assim, mesmo com poss\u00edveis falhas, imprecis\u00f5es hist\u00f3ricas e certo grau de ingenuidade, esta \u00e9 uma fita com muitas qualidades, que deve ser resgatada. E vista por todos aqueles que apreciam este g\u00eanero do cinema.<\/p>\n<p><strong>*Luiz Bernardo Peric\u00e1s<\/strong><em>\u00a0\u00e9 professor no Departamento de Hist\u00f3ria da USP. Autor, entre outros livros, de<\/em>\u00a0Caio Prado J\u00fanior: uma biografia pol\u00edtica (<em>Boitempo<\/em>). [<a href=\"https:\/\/amzn.to\/48drY1q\">https:\/\/amzn.to\/48drY1q<\/a>]<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><em>O\u2019 cangaceiro<\/em><br \/>\nIt\u00e1lia\\ Espanha, 1969.<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o: Giovanni Fago.<br \/>\nDira\u00e7\u00e3o de Fotografia: Alessandro Ulloa.<br \/>\nTrilha sonora: Riz Ortolani<br \/>\nMontagem: Eugenio Alabiso.}<br \/>\nElenco: Thomas Milian, Leo Anch\u00f3riz, Howard Ross, Eduardo Fajardo, Ugo Pagliai.<\/p>\n<p>Fonte: Terra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cangaceiro \u00e9 um filme produzido e dirigido em 1953 por Lima Barreto, di\u00e1logos escritos pela escritora Raquel de Queiroz; ganhou o pr\u00eamio de melhor filme de aventura e melhor trilha sonora no Festival Internacional de Cannes. Mas existe outro filme como o mesmo nome, O\u2019 Cangaceiro, uma produ\u00e7\u00e3o italiana dos anos 1970. 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