{"id":2079,"date":"2024-05-12T12:10:56","date_gmt":"2024-05-12T15:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079"},"modified":"2024-05-12T12:13:29","modified_gmt":"2024-05-12T15:13:29","slug":"ascencao-e-queda-dos-fundadores-de-macondo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079","title":{"rendered":"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em>Com a dire\u00e7\u00e3o de Laura Mora Ortega e Alex Garc\u00eda L\u00f3pez, a s\u00e9rie \u201cCem Anos de Solid\u00e3o\u201d est\u00e1 programada para estrear em\u00a02024. O teaser j\u00e1 divulgado pela Netflix oferece um vislumbre do que esperar: uma produ\u00e7\u00e3o que busca honrar a complexidade e a beleza da obra original.<\/p>\n<p>O blog veicula, a seguir, segunda parte do artigo de autoria de Felipe de Paula G\u00f3is Vieira publicado no Jornal Unicamp, que ajuda a entender a obra de Gabriel Garcia M\u00e1rquez, vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, em 1982.<\/p>\n<h1>Cem anos de solid\u00e3o&#8217;: uma met\u00e1fora da condi\u00e7\u00e3o latino-americana<\/h1>\n<p><em>Felipe de Paula G\u00f3is Vieira<\/em><\/p>\n<p><em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0narra a hist\u00f3ria da fict\u00edcia cidade de Macondo e a ascens\u00e3o e queda de seus fundadores, a fam\u00edlia Buend\u00eda. Os seis personagens centrais, que d\u00e3o in\u00edcio ao romance e dominam a primeira parte, s\u00e3o: Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Buend\u00eda, o entusiasmado fundador da vila de Macondo; a esposa dele, \u00darsula Iguar\u00e1n, espinha dorsal n\u00e3o s\u00f3 da fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m do romance inteiro; os filhos, Jos\u00e9 Arc\u00e1dio e Aureliano \u2013 o \u00faltimo, coronel Aureliano Buend\u00eda, considerado em geral o principal personagem do livro; a filha, Amaranta, atormentada quando crian\u00e7a e amargurada como mulher; e o cigano Melqu\u00edades, que traz as not\u00edcias do mundo exterior e, por fim, estabelece-se em Macondo.\u00a0 A hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia \u00e9 dramatizada por interm\u00e9dio de dois eventos principais: a Guerra dos Mil Dias e o massacre dos trabalhadores bananeiros em Ci\u00e9naga, no ano de 1928. Essas eram, segundo Gerald Martin (2008, p.368), as principais refer\u00eancias hist\u00f3ricas que formavam o contexto da pr\u00f3pria inf\u00e2ncia de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m \u2013 nem o pr\u00f3prio Garc\u00eda M\u00e1rquez \u2013 parece capaz de lembrar o dia, a semana ou m\u00eas em que foi escrita a primeira frase de\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>. Segundo Eric Nepomuceno (2009, p. 15), tudo o que se sabe \u00e9 que foi numa ter\u00e7a-feira de 1965. E que o mais prov\u00e1vel \u00e9 que tenha acontecido entre o final de junho e come\u00e7o de agosto.\u00a0\u00c9 certo, por\u00e9m, que aconteceu na Cidade do M\u00e9xico, na Rua Loma, n\u00famero 19, em San Angel Inn, um bairro classe m\u00e9dia da capital mexicana. Quando escreveu a famosa primeira frase, o escritor colombiano estava com 37 anos de idade e havia chegado \u00e0 Cidade do M\u00e9xico quatro anos antes, depois de uma agitada temporada em Nova York como correspondente da ag\u00eancia cubana de not\u00edcias Prensa Latina. Levava pouco mais de duzentos d\u00f3lares no bolso, nenhum vislumbre de emprego ou trabalho e a determina\u00e7\u00e3o de se transformar em roteirista de cinema e se estabelecer de vez como escritor (NEPOMUCENO, 2009, p. 15).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2081\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/buendia-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/buendia-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/buendia-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/buendia-768x576.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/buendia.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Aureliano Buendia enfrenta o Pelot\u00e3o de Fuzilamento<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Entre o dia da sua chegada ao M\u00e9xico e o amanhecer da v\u00e9spera em que se sentou diante da m\u00e1quina de escrever e come\u00e7ou a primeira frase do livro que mudaria a sua vida, a trajet\u00f3ria de Garc\u00eda M\u00e1rquez navegou \u201cao sabor de ventos variados\u201d (NEPOMUCENO, 2009, p. 16). Em 1961, o escritor colombiano era, na verdade, um quase desconhecido. Tinha escrito quatro livros e apenas um deles fora publicado na Col\u00f4mbia, sem maiores gl\u00f3rias que algumas resenhas elogiosas. Trechos desses livros e alguns contos haviam sido editados em publica\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio no M\u00e9xico, seu nome circulava com relativo sucesso entre artistas e intelectuais, mas ele estava longe de ser um nome conhecido fora desse ambiente restrito.<\/p>\n<p>Sua vida tomou um rumo diferente apenas em 1965. Ap\u00f3s quatro anos vivendo no M\u00e9xico, Garc\u00eda M\u00e1rquez se tornou um roteirista muito bem cotado e um escritor cada vez mais reconhecido e requisitado por editores de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos. Com as profiss\u00f5es de publicit\u00e1rio e roteirista ganhava um bom dinheiro, morava numa casa confort\u00e1vel, pertencia a c\u00edrculos importantes da vida cultural mexicana e era dono de uma boa cole\u00e7\u00e3o de amigos influentes. Mas, apesar do rumo promissor, Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o estava feliz. Nos \u00faltimos cinco anos n\u00e3o havia escrito um conto, n\u00e3o havia come\u00e7ado nenhum romance, nem voltara, para valer, a algum projeto abandonado. Queixava-se, aos amigos mais \u00edntimos, de aridez total (NEPOMUCENO, 2009, p. 21).<\/p>\n<p>Foi nesse clima de incerteza que o escritor colombiano decidiu levar a fam\u00edlia para umas curtas f\u00e9rias em Acapulco. Segundo o bi\u00f3grafo Gerald Martin, foi na estrada, pilotando um Opel branco, que brotou a primeira senten\u00e7a de todo o romance.<\/p>\n<p>Naquele dia, ainda n\u00e3o havia dirigido por um longo percurso quando, \u201cde lugar nenhum\u201d, a primeira senten\u00e7a de um romance lhe flutuou na mente. Por tr\u00e1s dela, invis\u00edvel mas palp\u00e1vel, estava o romance inteiro, como se tivesse sido ditado \u2013 baixado \u2013 do al\u00e9m. Era t\u00e3o poderoso e irresist\u00edvel quanto um feiti\u00e7o, um encantamento m\u00e1gico. A f\u00f3rmula secreta da senten\u00e7a estava no ponto de vista e, acima de tudo, no tom: \u201cMuitos anos depois, diante do pelot\u00e3o de fuzilamento [&#8230;]\u201d. Como se estivesse em transe, Garc\u00eda M\u00e1rquez parou, deu meia-volta no Opel e voltou para a Cidade do M\u00e9xico. E ent\u00e3o&#8230; (MARTIN, 2010, p. 366)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Realismo Fant\u00e1stico: Epifania de um autor consagrado<\/h2>\n<p>Essa vers\u00e3o cl\u00e1ssica da hist\u00f3ria segue com Garc\u00eda M\u00e1rquez virando o carro na mesma hora em que escuta a frase na cabe\u00e7a e cancelando peremptoriamente as f\u00e9rias da fam\u00edlia. Anos mais tarde Garc\u00eda M\u00e1rquez diria que, ap\u00f3s ter chegado a sua casa, sentara-se \u00e0 m\u00e1quina de escrever no dia seguinte, como fazia todos os dias, exceto que \u201cdesta vez n\u00e3o levantaria nos pr\u00f3ximos 18 meses\u201d. A maneira como o romance foi concebido \u00e9 descrita na maior parte das biografias e tamb\u00e9m nas entrevistas concedidas pelo autor como uma esp\u00e9cie de epifania. No entanto, como grande parte das hist\u00f3rias que envolvem o escritor colombiano, essa tamb\u00e9m n\u00e3o apresenta uma \u00fanica vers\u00e3o. Nas entrevistas que realizou, Martin (2010, p. 366) identificou pelo menos uma segunda possibilidade: nela, Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o teria retornado sumariamente \u00e0 Cidade do M\u00e9xico. Ele teria passado o fim de semana em Acapulco, dando voltas, ansioso, totalmente embebido pelo livro, e s\u00f3 na manh\u00e3 de uma incerta ter\u00e7a-feira, j\u00e1 de regresso \u00e0 capital mexicana, teria se sentado para come\u00e7ar a escrever o romance, n\u00e3o aos borbot\u00f5es como sugere a sua vasta mitologia, mas incluindo v\u00e1rios momentos de interrup\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o.<\/p>\n<p>E essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica perip\u00e9cia vinculada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>. Com a decis\u00e3o de dedicar-se integralmente \u00e0 escritura do romance, Garc\u00eda M\u00e1rquez pediu demiss\u00e3o dos empregos que possu\u00eda, reuniu aproximadamente cinco mil d\u00f3lares e colocou todo o dinheiro nas m\u00e3os de sua esposa, Mercedes. Desse momento em diante, ela deveria encarregar-se de tudo, pois nos pr\u00f3ximos seis meses \u2013 per\u00edodo de tempo em que planejava escrever o livro \u2013 o autor n\u00e3o voltaria \u00e0 vida cotidiana. Segundo Nepomuceno (2009, p. 21-22), ele refugiou-se num canto da sala de jantar, separado do resto da casa por uma divis\u00f3ria de madeira e uma placa na qual se lia \u201cLa Cueva de la Mafia\u201d, e ali permaneceu pelos pr\u00f3ximos meses. No entanto, os seis meses previstos transformaram-se em catorze e, no meio do caminho, todo o dinheiro da fam\u00edlia acabou. O carro foi penhorado, e depois vendido, assim como as joias de Mercedes e v\u00e1rios utens\u00edlios dom\u00e9sticos. Amigos emprestaram dinheiro, e quando finalmente o livro acabou Garc\u00eda M\u00e1rquez e Mercedes deviam nove meses de aluguel, quatro meses de a\u00e7ougue, sabe-se l\u00e1 quantos meses de quitanda e padaria. N\u00e3o tinham mais nada para empenhar ou vender (NEPOMUCENO, 2009, p, 23). O golpe final veio na hora de despachar os originais para Buenos Aires, onde a poderosa editora Sudamericana esperava por eles.<\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio do correio pesou o pacote, e disse: \u201cS\u00e3o 82 pesos\u201d. Mercedes contou as notas e moedas, e disse ao marido: \u201cS\u00f3 temos 53\u201d. Os dois dividiram o pacote pela metade e despacharam. Era uma sexta-feira, teriam at\u00e9 a segunda para tentar descobrir de onde tirariam dinheiro para mandar a outra metade.<\/p>\n<p>Quando enfim conseguiram empenhar o secador de cabelos de Mercedes, o aquecedor el\u00e9trico da\u00a0<em>Cueva de la Mafia<\/em>\u00a0e uma batedeira de bolo que tinham ganho como presente de casamento, mandaram o que faltava. E s\u00f3 ent\u00e3o perceberam que no pacote despachado antes estava, na realidade, a segunda parte do livro. Quer dizer: o editor recebeu primeiro a parte final. Pouco depois, o mesmo correio trouxe o cheque de adiantamento sobre direitos autorais do livro. Com esse dinheiro o aluguel de quase um ano foi pago e a vida recome\u00e7ou, \u00e0 procura do ritmo de antes. (NEPOMUCENO, 2009, p. 23)<\/p>\n<p>Essas perip\u00e9cias, associadas \u00e0 vers\u00e3o de um escritor atormentado por um bloqueio criativo \u2013 que encontra em um momento de revela\u00e7\u00e3o a obra de uma vida \u2013, come\u00e7aram a ser divulgadas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do romance. Essas hist\u00f3rias de bastidor, reveladas em entrevistas concedidas ap\u00f3s 1967, acrescentaram um colorido a mais ao livro que, segundo o pr\u00f3prio autor, vendeu nos anos seguintes como \u201ccachorro quente\u201d. A hist\u00f3ria apenas refor\u00e7ou o arrebatamento que a obra causou dentro de um vasto e variado p\u00fablico leitor. A tiragem inicial de oito mil exemplares esgotou-se em quinze dias. Veio, como afirma Nepomuceno (2009, p. 24), uma segunda, de dez mil, que teve o mesmo destino. Em tr\u00eas anos foram 600 mil exemplares em castelhano, e em oito, as vendas chegaram a dois milh\u00f5es. Em 1982, quando Garc\u00eda M\u00e1rquez foi contemplado com o Pr\u00eamio Nobel de Literatura, s\u00f3 em castelhano, 25 milh\u00f5es de exemplares de\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0tinham sido vendidos.<\/p>\n<p>O sucesso imediato da obra transformou Garc\u00eda M\u00e1rquez em um dos intelectuais mais reconhecidos e requisitados do continente. Al\u00e9m disso, difundiu-se uma ideia amplamente aceita e promovida pelos literatos do per\u00edodo de que Macondo, a cidade fict\u00edcia do romance, seria reflexo direto \u2013 ou, at\u00e9 mesmo, o perfeito retrato \u2013 da Am\u00e9rica Latina. Isso significa que\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0se consolidou, ao longo dos anos, como o romance \u201clatino-americano\u201d por excel\u00eancia e, por consequ\u00eancia, Macondo como uma representa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u2013 e, por vezes, considerada fidedigna \u2013 da Col\u00f4mbia e da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Obviamente, esse sucesso estrondoso trouxe \u00e0 tona alguns problemas. Para Emil Volek, doutor em Letras Hisp\u00e2nicas e professor do Departamento de L\u00ednguas e Literatura da State University, Tempe, Estados Unidos, a realidade de Macondo fora t\u00e3o graciosa e hilariante que \u201cfascin\u00f3 al p\u00fablico extranjero, que tom\u00f3 todo esto por la realidad latinoamericana, y pidi\u00f3 m\u00e1s\u201d. A for\u00e7a arquet\u00edpica de Macondo tem sido tal, que o soci\u00f3logo chileno Jos\u00e9 Joaqu\u00edn Bruner tem escrito e falado contra o \u201cmacondismo\u201d. O termo indica a forma como a obra de Garc\u00eda M\u00e1rquez, em especial\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, tem sido recebida e usada em determinados c\u00edrculos intelectuais. Para Brunner,\u00a0<em>macondismo<\/em>\u00a0seria certa atitude de interpretar a Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s \u201cde las bellas letras\u201d ou, mais exatamente, como produto exato dos relatos que se contam a partir de sua literatura. Segundo ele, a cren\u00e7a de que estes relatos, em especial aqueles produzidos pelo\u00a0<em>boom\u00a0<\/em>da d\u00e9cada de 1960 \u2013 sobretudo quando s\u00e3o aclamados pela cr\u00edtica estrangeira \u2013, s\u00e3o constitutivos da realidade latino-americana ou a expressam literalmente \u00e9 um efeito real desta atitude.<\/p>\n<p>Esta constata\u00e7\u00e3o prova que Macondo se tornou um territ\u00f3rio incorporado definitivamente ao mapa da literatura ocidental, ou pelo menos, latino-americana. Mais do que isso, virou uma esp\u00e9cie de sin\u00f4nimo do realismo m\u00e1gico, representando, mesmo que idilicamente, o desejo de unidade da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2083\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra-300x188.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra-768x480.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra-1536x960.jpg 1536w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/macondo-ilustra.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Macondo: Cidadela de muitas revolu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como lembra a pesquisadora Karla Pereira Cunha (2007, p.64), na interpreta\u00e7\u00e3o do romance podemos observar basicamente dois caminhos divergentes. H\u00e1 cr\u00edticos liter\u00e1rios e historiadores que veem a obra como a representa\u00e7\u00e3o do local: do Caribe, da Col\u00f4mbia e por extens\u00e3o da Am\u00e9rica Latina; ou seja, o romance \u00e9 visto como espa\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, uma esp\u00e9cie de met\u00e1fora da situa\u00e7\u00e3o latino-americana entrela\u00e7ada com a hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia. Outros buscam pensar a obra dentro do cruzamento entre hist\u00f3ria e mito. Nessa interpreta\u00e7\u00e3o, o romance \u00e9 visto como cria\u00e7\u00e3o e s\u00edntese do mundo, uma met\u00e1fora da condi\u00e7\u00e3o humana revelada atrav\u00e9s dos membros da fam\u00edlia Buend\u00eda. Para Cristo Figueroa (1998, p.113), n\u00e3o \u00e9 estranho que a extensa bibliografia cr\u00edtica sobre o romance manifeste uma contraposi\u00e7\u00e3o de leituras, entre aqueles que a interpretam fundamentalmente como uma grande met\u00e1fora da condi\u00e7\u00e3o humana \u2013 Julio Ortega, Carmen Arnau ou Jos\u00e9 Miguel Oviedo \u2013 e aqueles que a veem, sobretudo, como uma chave de acesso ao contexto hist\u00f3rico do continente \u2013 \u00c1ngel Rama, Emmanuel Carballo ou Isa\u00edas Lernes. Enquanto os primeiros apoiam seus argumentos na circularidade do tempo, no inexor\u00e1vel determinismo que rege a vida dos Buend\u00eda, na solid\u00e3o que pesa sobre seus personagens, na impot\u00eancia ante as for\u00e7as indom\u00e1veis da natureza e dos instintos dos homens, para os \u00faltimos, o que importa na obra \u00e9 a den\u00fancia dos problemas sociopol\u00edticos locais, a matan\u00e7a dos trabalhadores, a viol\u00eancia imposta pelo poder, o roubo de terras e a opress\u00e3o ostensiva sobre os exclu\u00eddos e fracos. Outro setor cr\u00edtico prefere, ainda, referir-se a uma dupla significa\u00e7\u00e3o de Macondo (Palencia Roth ou Lucila In\u00e9s Mena), segundo a qual o dito espa\u00e7o liter\u00e1rio, ao mesmo tempo em que se conecta com realidades hist\u00f3ricas determinadas, possui suficiente autonomia para plasmar simbolismos de resson\u00e2ncia universal.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/noticias\/2017\/05\/15\/cem-anos-de-solidao-uma-metafora-da-condicao-latino-americana#2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Lido como uma grande met\u00e1fora da condi\u00e7\u00e3o latino-americana, o que \u00e9 poss\u00edvel perceber \u00e9 que das p\u00e1ginas de\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0vislumbra-se a perspectiva de uma Am\u00e9rica Latina marcada por lutas internas pelo poder, pela corrup\u00e7\u00e3o, pela viol\u00eancia gerada por obscuras guerras civis entre liberais e conservadores, pela explora\u00e7\u00e3o descontrolada do capital estrangeiro atrav\u00e9s da \u201cfebre da banana\u201d, pela greve dos trabalhadores e a repress\u00e3o do ex\u00e9rcito. Mais do que isso, vislumbra-se uma Am\u00e9rica possivelmente redimida pela figura do her\u00f3i redentor, na figura do caudilho, e da revolu\u00e7\u00e3o. Essas representa\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria contidas em\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, lidas e interpretadas como met\u00e1foras da condi\u00e7\u00e3o latino-americana, solidificaram-se como explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis e poss\u00edveis da realidade do continente. O sucesso do romance habituou leitores do mundo todo a perceber a Am\u00e9rica como espa\u00e7o da utopia, da revolu\u00e7\u00e3o, do intelectual de esquerda e das lutas pelo poder.<\/p>\n<p>Para Selma Calasans Rodrigues (1993, p.10), n\u00e3o podemos esquecer que a gera\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0foi, por certo, a gera\u00e7\u00e3o das utopias, das grandes constru\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as e questionamentos. Segundo Figueroa (1998, p.119-120), apesar do final apocal\u00edptico do romance, em\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0n\u00e3o h\u00e1 uma condena\u00e7\u00e3o total. A obra, como os grandes textos, prolonga-se em seus leitores e em outros textos de seu autor. \u00c9 preciso l\u00ea-la prolongada e transformada no discurso de aceita\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, quando Garc\u00eda M\u00e1rquez, depois de mostrar o tamanho da nossa solid\u00e3o hist\u00f3rica e depois de explicitar as implica\u00e7\u00f5es profundas da busca do ser latino- americano, termina cantando a vida e a esperan\u00e7a, anunciando, ent\u00e3o, a boa nova que estava ausente na novela. E, ao final desse canto, anuncia a segunda oportunidade, a possibilidade iluminada de outra utopia:<\/p>\n<p>Uma nova e arrasadora utopia da vida, onde ningu\u00e9m possa decidir pelos outros at\u00e9 mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja poss\u00edvel a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solid\u00e3o tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra. (GARC\u00cdA M\u00c1RQUEZ, 2011, p. 28).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2082\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Felipe-de-gois-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Felipe-de-gois-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Felipe-de-gois-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Felipe-de-gois.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Autor do artigo. Felipe de Paula G\u00f3is Vieira<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, Garc\u00eda M\u00e1rquez terminou uma vida. A outra, exposta, como diria Borges, \u201ca la violenta luz de la gloria\u201d, abunda em chamadas de jornais e em flashes de fotografia, em chefes de Estado, celebridades e tiragens milion\u00e1rias (OSPINA, 2014, p. 18). A explos\u00e3o massiva que representou\u00a0<em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>\u00a0desnudou os complexos da Col\u00f4mbia. Seu her\u00f3i cultural inventou uma mitologia dom\u00e9stica e manteve uma dist\u00e2ncia estrat\u00e9gica ante esses mesmos complexos. Macondo era o Caribe, mas tamb\u00e9m os mapas percorridos por Garc\u00eda M\u00e1rquez para compreender o livro que ao fim p\u00f4de escrever quando vivia no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Fonte Jornal Unicamp<\/p>\n<p>imagens de dom\u00ednio p\u00fablico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Com a dire\u00e7\u00e3o de Laura Mora Ortega e Alex Garc\u00eda L\u00f3pez, a s\u00e9rie \u201cCem Anos de Solid\u00e3o\u201d est\u00e1 programada para estrear em\u00a02024. O teaser j\u00e1 divulgado pela Netflix oferece um vislumbre do que esperar: uma produ\u00e7\u00e3o que busca honrar a complexidade e a beleza da obra original. O blog veicula, a seguir, segunda parte do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00a0Com a dire\u00e7\u00e3o de Laura Mora Ortega e Alex Garc\u00eda L\u00f3pez, a s\u00e9rie \u201cCem Anos de Solid\u00e3o\u201d est\u00e1 programada para estrear em\u00a02024. O teaser j\u00e1 divulgado pela Netflix oferece um vislumbre do que esperar: uma produ\u00e7\u00e3o que busca honrar a complexidade e a beleza da obra original. O blog veicula, a seguir, segunda parte do [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Blog do Jo\u00e3o Costa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-05-12T15:10:56+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-05-12T15:13:29+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"550\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"386\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"joaocosta\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"joaocosta\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079\"},\"author\":{\"name\":\"joaocosta\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e\"},\"headline\":\"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo\",\"datePublished\":\"2024-05-12T15:10:56+00:00\",\"dateModified\":\"2024-05-12T15:13:29+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079\"},\"wordCount\":2891,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/gabriel-G-e1715525993913.jpg\",\"articleSection\":[\"Entretenimento\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079\",\"name\":\"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/gabriel-G-e1715525993913.jpg\",\"datePublished\":\"2024-05-12T15:10:56+00:00\",\"dateModified\":\"2024-05-12T15:13:29+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/gabriel-G-e1715525993913.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/gabriel-G-e1715525993913.jpg\",\"width\":550,\"height\":386},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?p=2079#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ascen\u00e7\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/\",\"name\":\"Blog do Jo\u00e3o Costa\",\"description\":\"Assim Caminha a Humanidade\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e\",\"name\":\"joaocosta\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"joaocosta\"},\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/blogdojoaocosta.com.br\\\/?author=1\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa","og_description":"\u00a0Com a dire\u00e7\u00e3o de Laura Mora Ortega e Alex Garc\u00eda L\u00f3pez, a s\u00e9rie \u201cCem Anos de Solid\u00e3o\u201d est\u00e1 programada para estrear em\u00a02024. O teaser j\u00e1 divulgado pela Netflix oferece um vislumbre do que esperar: uma produ\u00e7\u00e3o que busca honrar a complexidade e a beleza da obra original. O blog veicula, a seguir, segunda parte do [&hellip;]","og_url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079","og_site_name":"Blog do Jo\u00e3o Costa","article_published_time":"2024-05-12T15:10:56+00:00","article_modified_time":"2024-05-12T15:13:29+00:00","og_image":[{"width":550,"height":386,"url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"joaocosta","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"joaocosta","Est. tempo de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079"},"author":{"name":"joaocosta","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/#\/schema\/person\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e"},"headline":"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo","datePublished":"2024-05-12T15:10:56+00:00","dateModified":"2024-05-12T15:13:29+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079"},"wordCount":2891,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg","articleSection":["Entretenimento"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079","url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079","name":"Ascens\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo - Blog do Jo\u00e3o Costa","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg","datePublished":"2024-05-12T15:10:56+00:00","dateModified":"2024-05-12T15:13:29+00:00","author":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/#\/schema\/person\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#primaryimage","url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg","contentUrl":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/gabriel-G-e1715525993913.jpg","width":550,"height":386},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2079#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ascen\u00e7\u00e3o e queda dos fundadores de Macondo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/#website","url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/","name":"Blog do Jo\u00e3o Costa","description":"Assim Caminha a Humanidade","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/#\/schema\/person\/af1c9fa31a41a9d29c32f74b41d55f6e","name":"joaocosta","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/677b6f1fc54e8c7982d7dce3cfe65fce28f898f70d9b8b631786a0b1b18b11e5?s=96&d=mm&r=g","caption":"joaocosta"},"sameAs":["http:\/\/blogdojoaocosta.com.br"],"url":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?author=1"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2079"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2079\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2084,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2079\/revisions\/2084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}