{"id":2959,"date":"2025-09-12T16:50:06","date_gmt":"2025-09-12T19:50:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2959"},"modified":"2025-09-12T16:50:06","modified_gmt":"2025-09-12T19:50:06","slug":"texto-teatral-e-agora-doutora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/?p=2959","title":{"rendered":"Texto teatral: E Agora, doutora?"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 sendo sacudido por conta de um julgamento na Suprema Corte. E decis\u00e3o da Justi\u00e7a n\u00e3o se discute \u2013 se cumpre. E cabe recurso. O blog publica texto teatral de Marcos P. Pequenos em torno de uma personagem (ju\u00edza), que precisa tomar uma decis\u00e3o importante em meio \u00e0s amea\u00e7as.<\/p>\n<h2>E agora, doutora?<\/h2>\n<p><em><strong>Marcos Pequeno<\/strong><\/em><\/p>\n<p>PERSONAGENS:<br \/>\nDOUTORA: (durante toda a a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, nenhuma fala. A sua performance teatral<br \/>\nser\u00e1 por meio de suas rea\u00e7\u00f5es corporais em sintonia l\u00f3gica e dram\u00e1tica com aquilo que<br \/>\n\u00e9 ouvido no celular e na televis\u00e3o, devendo, pois, transmitir os conflitos, emo\u00e7\u00f5es,<br \/>\nsentimentos, a\u00e7\u00f5es etc. necess\u00e1rios).<br \/>\nVOZ DO LOCUTOR DA TELEVIS\u00c3O<br \/>\nVOZ DO ESPECIALISTA JUR\u00cdDICO<br \/>\nVOZ DA SECRET\u00c1RIA DA DOUTORA<br \/>\nVOZ DA FILHA<br \/>\nVOZ DO DESEMBARGADOR, PAI DA DOUTORA<br \/>\nVOZ DO BANDIDO<br \/>\nCEN\u00c1RIO: um sof\u00e1, um celular, um controle de televis\u00e3o, um computador pequeno.<\/p>\n<p>DOUTORA: (caminha apreensiva pela sala, com express\u00e3o extremamente tensa e aflita.<br \/>\nOlha para o rel\u00f3gio. Demonstra muita indecis\u00e3o. Senta-se no sof\u00e1, folheia um<br \/>\ndocumento, pega uma caneta, faz men\u00e7\u00e3o de assin\u00e1-lo, desiste. Bebe de um s\u00f3 gole<br \/>\numa dose de Whishy sem gelo (pausa). Tr\u00eamula, aciona algo na tela do seu celular).<\/p>\n<p>VOZ DO BANDIDO (gravada no \u00e1udio do WhatsApp): Boa noite, doutora. J\u00e1 faz mais de<br \/>\numa semana que eu estou enviando \u00e1udios para o seu WhatsApp e o meu celular indica<br \/>\nque a senhora j\u00e1 ouviu todos esses \u00e1udios. Ent\u00e3o, a senhora j\u00e1 sabe, muito bem, o que<br \/>\ntem que fazer: termina, amanh\u00e3, o prazo para a senhora assinar esse tal de \u201cHabis<br \/>\nCorpis\u201d para o meu chefe, soltando ele da cadeia. A senhora j\u00e1 foi avisada do que poder\u00e1<br \/>\nlhe acontecer se n\u00e3o assinar esse tal Habis Corpis. Vai sobrar para o seu marido, para o<br \/>\nseu pai e para as suas duas filhas.<\/p>\n<p>DOUTORA: (aflita, desliga o celular e, em seguida, aciona o controle da TV, em dire\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u00e0 plateia).<\/p>\n<p>VOZ DO LOCUTOR: \u00c9 grande a expectativa de qual ser\u00e1 a decis\u00e3o da justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o<br \/>\nao pedido de habeas corpus solicitado pelos advogados de Tonh\u00e3o das bocas, acusado<br \/>\nde in\u00fameros crimes cujas penas, se fossem acumulativas, poderiam ultrapassar a mais<br \/>\nde 200 anos de pris\u00e3o. Vejamos o que diz o doutor Fausto da Cruz, especialista no<br \/>\nassunto.<\/p>\n<p>VOZ DO ESPECIALISTA JUR\u00cdDICO: Boa noite, caros telespectadores. O pedido de habeas<br \/>\ncorpus, impetrado pela defesa de Tonh\u00e3o das Bocas, n\u00e3o apresenta respaldo jur\u00eddico<br \/>\nsuficiente para que seja atendido. Al\u00e9m disso, h\u00e1 forte ind\u00edcios de que s\u00e3o procedentes<br \/>\ntodas as graves acusa\u00e7\u00f5es que pesam sobre ele, sugerindo que o mesmo \u00e9 um indiv\u00edduo<br \/>\nde alta periculosidade, um perigo para a sociedade. Nesse sentido, penso que, em nome<br \/>\nda justi\u00e7a, o habeas corpus ser\u00e1 negado.<\/p>\n<p>DOUTORA: (aciona o controle da TV, desligando-a. Em seguida, liga o celular).<\/p>\n<p>VOZ DA SECRET\u00c1RIA (gravada no \u00e1udio do WhatsApp): (aflita) Boa noite, n\u00e3o consegui<br \/>\nfalar com a senhora pelo WhatsApp, estou lhe enviando esse \u00e1udio. Doutora, a senhora<br \/>\npediu para que eu continuasse lembrando sobre o seu parecer acerca do \u00faltimo pedido<br \/>\nde habeas corpus, uma vez que a senhora n\u00e3o gosta de acumular servi\u00e7o, e o prazo<br \/>\ntermina amanh\u00e3.<\/p>\n<p>DOUTORA: (muito aflita, mexe no celular).<\/p>\n<p>VOZ DA FILHA (gravada no \u00e1udio do WhatsApp): Oi, m\u00e3e. Liguei v\u00e1rias vezes e a senhora<br \/>\nn\u00e3o atendeu. Est\u00e1 tudo bem? Voltaremos, amanh\u00e3, de Noronha. Aqui \u00e9 t\u00e3o bonito, m\u00e3e.<br \/>\nA senhora precisa conhecer. M\u00e3e, aconteceu um fato t\u00e3o estranho. Eu estava, sozinha,<br \/>\ncontemplando o p\u00f4r-do-sol, quando um senhor se aproximou de mim, e disse: essas tr\u00eas<br \/>\nrosas pretas s\u00e3o, uma para voc\u00ea, uma para a sua irm\u00e3 e a \u00faltima para a sua m\u00e3e. \u00c9 uma<br \/>\ngentileza do meu patr\u00e3o que \u00e9 um grande admirador da lei e da justi\u00e7a. Achei t\u00e3o<br \/>\nestranho, m\u00e3e. (risos) Esse mundo est\u00e1 cheio de gente maluca. (risos) E por falar nisso,<br \/>\nm\u00e3e. A minha amiga tamb\u00e9m est\u00e1 adorando, mas ela ainda n\u00e3o se recuperou totalmente<br \/>\ndo susto que teve, semana passada: por um triz, ela n\u00e3o foi atropelada por um motorista<br \/>\nmaluco. Eu vi tudo. Foi horr\u00edvel. Mas, pensemos em coisas positivas, Tchau, m\u00e3e, a gente<br \/>\nse v\u00ea, amanh\u00e3.<\/p>\n<p>DOUTORA: (muito aflita, mexe no celular)<\/p>\n<p>VOZ DO PAI, DESEMBARGADOR (gravada no \u00e1udio do WhatsApp): Boa noite, filha. Liguei<br \/>\nv\u00e1rias vezes, hoje. Voc\u00ea sempre atende \u00e0s minhas liga\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 havendo algo muito<br \/>\ns\u00e9rio? O seu marido aprontou mais uma? Espero que voc\u00ea n\u00e3o esteja preocupada em<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua decis\u00e3o sobre o habeas corpus solicitado pelos advogados desse bandido,<br \/>\no Tonh\u00e3o das Bocas . Voc\u00ea sabe que n\u00e3o existe a m\u00ednima possibilidade jur\u00eddica de esse<br \/>\nhabeas corpus ser concedido. Eu imagino que voc\u00ea sabe disso. (risos) Estou ensinado<br \/>\npadre nosso a vig\u00e1rio. (risos) Filha, mudando de assunto, hoje, revendo os \u00e1lbuns de<br \/>\nfam\u00edlia, encontrei fotos de sua cola\u00e7\u00e3o de grau. J\u00e1 lhe disse e reafirmo: foi um dos dias<br \/>\nmais felizes da minha vida: o seu magn\u00edfico discurso como oradora de todos os<br \/>\nformandos, defendendo a ideia de justi\u00e7a, com unhas e dentes. O certificado recebido<br \/>\nde melhor aluna de todos os cursos da Universidade. Orgulha-me o fato de voc\u00ea ter<br \/>\npassado no exame da OAB, sem muito esfor\u00e7o. Eu, para me tornar Desembargador, foi<br \/>\nmais transpira\u00e7\u00e3o, muito esfor\u00e7o, mas, voc\u00ea, filha, tem tudo para ir muito longe e brilhar<br \/>\nmuito mais. Filha, no pr\u00f3ximo m\u00eas, far\u00e1 um ano que voc\u00ea \u00e9 Desembargadora. Precisamos<br \/>\ncomemorar muito. Te amo muito, filha, continue sendo a exemplar magistrada que \u00e9.<\/p>\n<p>DOUTORA: (aciona o celular).<\/p>\n<h2>Enfrentado amea\u00e7as pelo WhatsApp<\/h2>\n<p>VOZ DO BANDIDO (gravada no \u00e1udio do WhatsApp): Boa noite, Doutora. N\u00e3o adianta<br \/>\ndeixar de atender essas nossas liga\u00e7\u00f5es porque a senhora j\u00e1 sabe qual \u00e9 o nosso recado.<br \/>\nA senhora viu, no WhatsApp, as nossas mensagens de \u00e1udio. Vou repetir, agora, com<br \/>\nmais detalhes, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o. Sinceramente, doutora, eu n\u00e3o queria estar em sua<br \/>\npele. (pausa) A senhora vai ter que assinar esse tal de habis corpis. Eita, nome<br \/>\ncomplicado para tirar algu\u00e9m da cadeia! Se n\u00e3o fizer isso, a coisa vai feder para a senhora<br \/>\ne para o resto da sua fam\u00edlia. Vou explicar melhor e com mais detalhes. O meu chefe<br \/>\nsabe que, se for a julgamento, ser\u00e1 condenado \u00e0 pena m\u00e1xima, ficar\u00e1 em cana, no<br \/>\nm\u00ednimo 30 anos, em regime fechado e em pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima. Ele tamb\u00e9m<br \/>\nsabe que corre muito risco de vida na cadeia. Ontem, mesmo, tentaram matar ele,<br \/>\ndentro do pres\u00eddio. Se a senhora abrir o bico e entregar essas mensagens para a justi\u00e7a,<br \/>\nn\u00e3o mudar\u00e1 quase nada porque ele sabe que estar\u00e1 ferrado se for \u00e0 julgamento. O meu<br \/>\nchefe quer ser solto, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, para, quando solto, arrumar um jeito de n\u00e3o<br \/>\nser preso outra vez, e fugir do pa\u00eds. Ele \u00e9 muito poderoso e n\u00e3o ser\u00e1 muito dif\u00edcil, para<br \/>\nele, se mandar do Brasil. Agora, se a senhora n\u00e3o der esse tal de habis corpis, a sua vida<br \/>\nvai virar um inferno, por v\u00e1rios motivos. (pausa) Primeiro, a gente sabe que a senhora j\u00e1<br \/>\nsabe que o seu marido \u00e9 um jogador inveterado de p\u00f4quer. Nos \u00faltimos meses, ele vem<br \/>\nperdendo muito. As d\u00edvidas de jogo dele s\u00e3o t\u00e3o grandes que, se a senhora vender todos<br \/>\nos seus bens, imagino que n\u00e3o cobrir\u00e1 nem a metade das d\u00edvidas de jogo dele. E d\u00edvida<br \/>\nde jogo \u00e9 coisa sagrada, ele vai ter que pagar por bem ou por mal. Se ele n\u00e3o pagar \u00e9<br \/>\ncaix\u00e3o grande e vela preta. O meu chefe comprou todas as d\u00edvidas de jogo dele e est\u00e1<br \/>\nquerendo perdoar se a senhora der esse tal habis corpis, soltando ele. (pausa) Doutora,<br \/>\neu n\u00e3o gostaria de estar na sua pele. Desculpe, o que vou lhe dizer: embora eu seja<br \/>\nbandido, eu admiro a senhora. Ali\u00e1s, lhe admiro muito, mas muito mesmo, a senhora<br \/>\nnem imagina. \u00c9 uma mulher que defende aquilo que acredita com unhas e dentes. Eu<br \/>\ntamb\u00e9m sou assim. Esse seu marido n\u00e3o merece a senhora. Sabia que, n\u00e3o faz nem meia<br \/>\nhora, ele estava na mesa de p\u00f4quer e perdeu uma bolada no jogo. Depois, com o rabo<br \/>\nentre as pernas, saiu com a gar\u00e7onete do cassino. Acabaram de me informar que ele est\u00e1<br \/>\nem um motel, aqui, nas proximidades do cassino. (pausa).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2961\" src=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Marcos-P.-Pequeno-1-285x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Marcos-P.-Pequeno-1-285x300.jpeg 285w, https:\/\/blogdojoaocosta.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Marcos-P.-Pequeno-1.jpeg 365w\" sizes=\"(max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Marcos Pequeno \u00e9 dramaturgo e professor universit\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A senhora merece coisa melhor. Livre-se desse estrup\u00edcio, doutora. Se fosse minha, eu lhe daria um trato<br \/>\nespecial. A senhora \u00e9 uma coroa muito bonita e enxuta. J\u00e1 sonhei com a senhora, v\u00e1rias<br \/>\nvezes. N\u00f3s dois fazendo barba, cabelo e bigode na cama. Um dia desses, eu elogiei a<br \/>\nsenhora e a minha companheira ficou com ci\u00fames, e falou: \u201cs\u00f3 vive falando dessa<br \/>\ndoutora, o tempo todo. Est\u00e1 enrabichado por ela, \u00e9? Era s\u00f3 o que me faltava\u201d. (pausa)<br \/>\nDesculpe, doutora, mas \u00e9 isso o que eu sinto. (pausa) A nossa organiza\u00e7\u00e3o sabe que a<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o do nojento do seu marido talvez n\u00e3o seja suficiente para pressionar a senhora<br \/>\na assinar esse habis corpis, por isso tem mais: a senhora tem a maior considera\u00e7\u00e3o pelo<br \/>\nseu pai, o velho desembargador, mas ficar\u00e1 muito decepcionada com o que irei lhe falar<br \/>\nagora: a senhora sabia que o seu pai, no final da carreira dele, como magistrado, saiu da<br \/>\nlinha e recebeu grana para facilitar a vida de alguns figur\u00f5es do crime? Sabia que ele tem<br \/>\nconta, no estrangeiro, nesse tal de para\u00edso fiscal? A senhora n\u00e3o achou estranho a<br \/>\ncompra daquela cobertura em que ele mora, na zona mais nobre da cidade, por um<br \/>\npre\u00e7o muito barato? (pausa) Gostaria de estar a\u00ed, com a senhora, nesse momento, para<br \/>\nlhe dar um consolo. Descobrir que o pai, que tanto admira, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 flor que se<br \/>\ncheire, deve ser uma barra muito pesada. Desculpe, n\u00e3o estou gostando de ter que lhe<br \/>\nfalar tudo isso, mas \u00e9 o meu trabalho e tenho que fazer as \u201ccoisa\u201d da melhor maneira<br \/>\nposs\u00edvel. (pausa) A nossa organiza\u00e7\u00e3o tem muitas provas contra o seu pai. Depende da<br \/>\nsenhora se elas, um dia, ser\u00e3o divulgadas. Outra coisa, doutora, a sua secret\u00e1ria mora<br \/>\nem um local pouco iluminado, em uma \u00e1rea muito violenta. Existe muito latroc\u00ednio por<br \/>\nl\u00e1. (pausa) Mas, se tudo o que eu lhe falei, at\u00e9 agora, n\u00e3o basta para a senhora assinar o<br \/>\nhabis corpis, tem mais. Eu n\u00e3o gosto que mulheres, crian\u00e7as e adolescentes sejam<br \/>\nusados para dar um sugesta em algu\u00e9m, mas quem sou eu para ir contra as ordens de<br \/>\nnossa organiza\u00e7\u00e3o. Se eu fosse o seu homem, talvez ousasse peitar a minha organiza\u00e7\u00e3o,<br \/>\nmas esse n\u00e3o \u00e9 o caso. (pausa) Doutora, a senhora soube que a melhor amiga, de uma<br \/>\ndas suas duas filhas, escapou, fedendo, de um atropelamento. Aquilo n\u00e3o foi acidental,<br \/>\nfoi proposital. Aquela rua do col\u00e9gio, onde as suas duas filhas estudam, \u00e9 muito perigosa.<br \/>\nNesse ano, j\u00e1 houve tr\u00eas acidentes fatais, bem perto do col\u00e9gio. (pausa) A senhora j\u00e1<br \/>\nsoube que a sua filha, que est\u00e1 passando o final de semana em Fernando de Noronha,<br \/>\nrecebeu tr\u00eas rosas pretas. Esses avi\u00f5es, que v\u00e3o para Fernando de Noronha, talvez n\u00e3o<br \/>\nsejam t\u00e3o seguros. Podem cair em alto mar, a galera ser devorada por tubar\u00f5es. (pausa)<br \/>\nRepito, doutora, n\u00e3o gosto desse tipo de sugesta, mas&#8230; doutora, o meu chefe tem<br \/>\nmuitos inimigos e teme que seja morto na penitenci\u00e1ria. Toda a organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 recebeu<br \/>\na ordem: se alguma coisa de grave acontecer com ele na pris\u00e3o, sobrar\u00e1 para a senhora<br \/>\ne, muito mais, para os seus familiares. (pausa) Faz tempo que eu n\u00e3o rezo, doutora, mas,<br \/>\nnesses \u00faltimos dias, tenho rezado bastante para a senhora assinar esse habis corpis. Eu<br \/>\nnunca fiz uma promessa na vida, mas, dessa vez, eu fiz uma para S\u00e3o Jorge. Doutora,<br \/>\ndepois de mulher, a coisa que eu mais gosto na vida \u00e9 assistir aos jogos do meu fog\u00e3o,<br \/>\nprincipalmente, no Engenh\u00e3o. Eu prometi ao Santo, doutora. Pensei, no in\u00edcio, em fazer<br \/>\numa promessa de um ano, mas, a\u00ed, j\u00e1 \u00e9 tempo demais. Prometi ficar seis meses sem<br \/>\nassistir aos jogos do meu fog\u00e3o. Ser\u00e1 muito dif\u00edcil cumprir essa promessa, doutora, mas,<br \/>\nse a senhora assinar esse tal de habis corpis, eu cumpro a minha promessa. Assine,<br \/>\ndoutora, assim. Ser\u00e1 bom todos n\u00f3s: para a senhora, sua fam\u00edlia, para mim que subirei<br \/>\nna hierarquia da organiza\u00e7\u00e3o. Sabia, doutora, que eu fui escolhido, aqui na organiza\u00e7\u00e3o,<br \/>\npara falar com a senhora, sobre esse habis corpis, porque sou o mais desenrolado e<br \/>\ntenho o segundo grau completo? Assine, doutora, para o meu chefe n\u00e3o correr mais o<br \/>\nrisco de ser morto na pris\u00e3o e poder fugir do pa\u00eds. Depois que o meu chefe sair do Brasil,<br \/>\na senhora diz para a justi\u00e7a que foi for\u00e7ada a concordar com o habis corpis ou ent\u00e3o<br \/>\npoder\u00e1 ficar de bico calado e, tamb\u00e9m, a partir de agora, prestar alguns servicinhos para<br \/>\na nossa organiza\u00e7\u00e3o. Garanto que a senhora ganhar\u00e1 muita grana. Quem sabe a gente<br \/>\nse conhece pessoalmente e inicia uma rela\u00e7\u00e3o legal? Mas, agora, assine, doutora, assine,<br \/>\nainda hoje, doutora. Assine o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, doutora, antes que muita desgra\u00e7a<br \/>\naconte\u00e7a, assine, doutora, assine.<\/p>\n<p>Doutora: (aterrorizada, segura o documento, com o olhar fixo, indeciso, e a caneta<br \/>\ntr\u00eamula na m\u00e3o). BLACK-OUT<\/p>\n<p><em><strong>Marcos P. Pequeno \u00e9 dramaturgo, diretor de teatro e professor da UFPB<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 sendo sacudido por conta de um julgamento na Suprema Corte. E decis\u00e3o da Justi\u00e7a n\u00e3o se discute \u2013 se cumpre. E cabe recurso. O blog publica texto teatral de Marcos P. Pequenos em torno de uma personagem (ju\u00edza), que precisa tomar uma decis\u00e3o importante em meio \u00e0s amea\u00e7as. E agora, doutora? 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