Por Hélio Costa
Conversar com Francisco Brennand era um privilégio reservado a poucos, um verdadeiro mergulho na sabedoria de um mestre ceramista cuja obra transcendeu as fronteiras da arte. Sua genialidade não se limitava à destreza técnica; Brennand era um profundo conhecedor das complexidades culturais, históricas e sociais que moldaram nossa sociedade.
Em nossas conversas, a música clássica ressoava como um pano de fundo, criando uma atmosfera propícia ao diálogo. Brennand se mostrava sempre atento e reflexivo, especialmente ao abordar temas que variavam desde Pietro Maria Bardi e sua esposa, a arquiteta Lina Bo Bardi, até o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e figuras notáveis como Miguel dos Santos e Abelardo da Hora. O olhar crítico que ele lançava sobre o Instituto que idealizava antes mesmo de sua inauguração revelava sua visão perspicaz e seu compromisso inabalável com a arte.
A paixão de Brennand pela cultura era palpável, manifestando-se na convicção de que o amor pela arte exige ação. Para ele, cultivar a cultura era um ato de resistência contra as adversidades políticas e sociais. Sua habilidade em transformar uma fábrica em ruínas em um patrimônio cultural respeitado é uma prova de que um verdadeiro gênio não apenas sonha, mas realiza.
Brennand nos ensinou que a arte é um legado que se perpetua, um convite à reflexão que ultrapassa as barreiras do tempo. Sua contribuição para o mundo da cerâmica e da cultura brasileira é um testemunho de que a grandeza reside na capacidade de sonhar e, mais importante, de agir. O universo que ele criou é um espaço onde cada peça, cada obra, reflete sua alma inquieta e apaixonada. A presença de Francisco Brennand permanece viva, inspirando novas gerações a abraçar a arte como um pilar fundamental da civilização.

Brennand(D) durante entrevista em seu atelier
Em uma entrevista ao documentarista Hélio Costa, Brennand elucidou ainda mais sua visão, articulando a intersecção entre arte e vida, enfatizando seu papel como agente transformador na sociedade. Ele compreendia que a arte não é apenas uma expressão estética, mas um meio de resistência e diálogo cultural, capaz de desafiar normas e provocar reflexões profundas sobre a condição humana. A obra de Brennand, portanto, não é apenas um testemunho de sua habilidade, mas um manifesto da importância vital da arte em momentos de crise, reafirmando seu legado como uma fonte de inspiração e reflexão crítica.
#Hélio Costa é Documentarista.
