Por Jerdivan Nóbrega

Celebrar os 328 anos de Pombal é muito mais do que recordar a sua fundação. É reconhecer a trajetória de um povo que ajudou a construir a história da Paraíba e do sertão nordestino. Infelizmente, enquanto se investe na festa, pouco se investe na preservação da memória que justifica a própria comemoração.

Foi Wilson Seixas quem primeiro compreendeu a importância de pesquisar, documentar e escrever a história de Pombal. Sua obra O Velho Arraial, publicada em 1962, tornou-se um marco na historiografia regional e inspirou inúmeros pesquisadores, entre os quais me incluo.

Movido por esse exemplo, dediquei anos de estudo ao resgate da nossa memória histórica. Escrevi 16 livros sobre Pombal e outras cidades sertanejas, sempre acreditando que preservar o passado é um compromisso com o futuro.

Agora, passados 64 anos da publicação de O Velho Arraial, concluí uma revisão ampla daquela obra. Não para substituir Wilson Seixas, mas para dialogar com seu legado. A História é dinâmica. Novos documentos aparecem, novas fontes são descobertas e novas interpretações enriquecem o conhecimento histórico. Revisitar uma obra clássica é mantê-la viva.

Entretanto, ao concluir esse trabalho, deparo-me com uma realidade desanimadora. O livro poderá permanecer inédito, guardado em uma gaveta. Não por falta de relevância, mas porque falta apoio. A pesquisa histórica, a cultura e a preservação da memória continuam sendo tratadas como despesas supérfluas, quando deveriam ser compreendidas como investimentos permanentes.

É difícil aceitar que recursos públicos sejam encontrados com facilidade para grandes eventos e apresentações artísticas, algumas custando centenas de milhares ou até milhões de reais, enquanto um investimento relativamente modesto para editar um livro de valor histórico seja considerado inviável. Não se trata de condenar as festas, que também possuem sua importância social e cultural. O que se questiona é a ausência de equilíbrio nas prioridades.

Livros permanecem por décadas

O espetáculo dura algumas horas. O livro permanece por décadas. O show emociona uma noite. A pesquisa histórica educa gerações. O palco é desmontado ao amanhecer. Um livro passa a integrar bibliotecas, escolas, universidades e a memória coletiva de um povo.

Pombal merece celebrar seus 328 anos olhando não apenas para o presente, mas também para o passado que construiu sua identidade. Uma cidade que não preserva sua história corre o risco de perder a consciência de si mesma.

Os administradores públicos são passageiros. A história, porém, permanece. E ela julgará não apenas aqueles que construíram obras de pedra e cimento, mas também os que tiveram — ou deixaram de ter — o compromisso de preservar a memória de seu povo.

Que os 328 anos de Pombal sirvam de reflexão. Porque uma cidade sem memória é uma cidade sem identidade. E um povo que abandona sua história entrega às futuras gerações apenas o silêncio onde deveriam existir lembranças. Se desejar, posso torná-lo ainda mais contundente, em estilo de editorial, com críticas mais diretas à falta de políticas públicas de incentivo à pesquisa e à publicação de obras históricas.

# Jerdivan Nóbrega é escritor e Historiador.

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