José Tavares de Araújo Neto

Nas comemorações do centenário da passagem da Coluna Prestes pela Paraíba (1926-2026), apresento esta obra, atualmente em fase de conclusão e com lançamento previsto para ainda este ano. Nela, procuro reconstruir esse episódio com base em ampla pesquisa documental.

Meu objetivo foi, a partir desses fragmentos documentais, recompor, passo a passo, a movimentação da Coluna Prestes e das forças legais em território paraibano, confrontando telegramas, jornais da época, documentos oficiais, memórias e depoimentos. Dessa forma, procurei acompanhar o desenrolar da campanha militar e compreender como se formaram as diferentes narrativas sobre esse importante capítulo da nossa história.

Inicio o livro contextualizando o movimento tenentista, desde a Revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana, passando pelas revoltas de 1924, até a formação da Coluna Miguel Costa-Prestes e sua longa marcha pelo interior do Brasil, percorrendo Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, antes de alcançar o território paraibano.

Na sequência, examino a preparação do governo da Paraíba diante da aproximação da Coluna. Analiso as medidas adotadas por João Suassuna, a organização do Batalhão Patriótico Epitácio Pessoa e a estratégia de defesa do Estado.

 

Dedico especial atenção a Pombal, cuja posição geográfica fez da cidade o principal centro de organização da defesa paraibana. De Pombal partiram as principais decisões militares do governo estadual, enquanto para a cidade convergiam tropas, reforços e informações telegráficas que influenciaram o desenrolar da campanha.

Reconstituo os acontecimentos envolvendo o combate do Chabocão, a marcha em direção a Pombal, os telegramas enviados pelas autoridades, o desaparecimento do tenente Manuel Benício e a captura do major Nô Queiroga, fatos que alteraram profundamente o planejamento defensivo estadual.

A obra acompanha ainda a concentração da Coluna em Boqueirão de Curema, destacando a resistência de Esaú Rodrigues dos Santos, os combates travados na região e a entrevista concedida por Luís Carlos Prestes a Agú Rodrigues dos Santos, testemunho preservado pela memória sertaneja.

O núcleo central do livro é dedicado à Tragédia de Piancó. Antes de narrar o combate, reconstruo o contexto político do município entre 1902 e 1926, marcado pelas disputas entre Padre Aristides e Dr. Felizardo Leite.

Em seguida, descrevo o confronto, suas consequências imediatas e os desdobramentos que transformaram o episódio em um dos acontecimentos mais debatidos da história paraibana.

Também examino a formação da memória sobre a Tragédia de Piancó, analisando a obra Os Mártires de Piancó, de Padre Manuel Otaviano, sua repercussão e o surgimento da chamada guerra de narrativas.

Confronto criticamente as versões do sargento Manuel Arruda de Assis, de Padre Manuel Otaviano, de João Câncio e dos integrantes da própria Coluna Prestes, buscando identificar, à luz da documentação disponível, os pontos de convergência e divergência entre essas interpretações.

Ao longo da pesquisa, acompanho a atuação de personagens como Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, João Alberto e Ary Freire, integrantes da Coluna Prestes. Examino também o papel desempenhado por João Suassuna, Manuel Benício, Irineu Rangel, os deputados Dr. José Queiroga e coronel José Pereira Lima, Padre Aristides e João Câncio, protagonistas das ações militares, políticas e das narrativas construídas em torno da passagem da Coluna pela Paraíba.

Concluo examinando a saída da Coluna da Paraíba, suas repercussões e seu legado historiográfico, oferecendo ao leitor uma visão crítica e documentada de um episódio que, cem anos depois, permanece vivo na memória e na história.

# José Tavares é escritor e historiador.

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