Por Jerdivan Nóbrega de Araújo
A ironia é brutal: enquanto a General Osório respira fundo e clama por um renascimento urbano, a Prefeitura de João Pessoa age como a principal adversária desse processo. O pedido é básico, quase um manual de sobrevivência urbana – poda de árvores, fiação enterrada, calçadas decentes e postes retrô que, aliás, seria o mínimo para valorizar o patrimônio histórico local.
Os empresários da área de gastronomia ja viram o potencial daquela avenida.
Mas, do lado do poder público, que vemos?
Um marasmo administrativo que transforma o óbvio em utopia.
É revoltante que uma das vias mais simbólicas da cidade precise “implorar” por intervenções tão comezinhas. Enquanto a fiação aérea vira um emaranhado de riscos e poluição visual, o poder público finge que não vê. As calçadas, verdadeiras trincheiras para pedestres, seguem intactas, e a arborização, que deveria ser patrimônio, é tratada com a negligência de quem espera a primeira tempestade para justificar a falta de manutenção. E o tal poste retrô? Fica no campo da fantasia, enquanto a infraestrutura enterra qualquer chance de turismo ou qualidade de vida.
O sobrado onde morou Virgílio da Gama vai ruir a qualquer momento.
Esse descaso não é apenas desleixo; é um atentado à memória afetiva e à mobilidade da cidade.
A General Osório não quer um “revival” de fachada; quer dignidade. Mas parece que, para a gestão municipal, deixar a rua definhar é mais cômodo do que pegar no batente. Chega de promessas vazias. Enquanto a prefeitura hesita, a rua sangra lentamente, e João Pessoa perde não apenas um logradouro, mas a chance de provar que sabe cuidar do que é seu. Acordem, ou a história (e os pedestres) cobrarão caro por essa surdez seletiva.
# Jerdivan Nóbrega é escritor e historiador.
